quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

CONVERSÃO DA NOSSA COSMOVISÃO



Por: JOEL PAULINO



Seria isso, uma reflexão pessoal, plágio de Augustus Nicodemus ou simplesmente uma leitura que anda inquietando o peito de um sem número de pessoas que têm se lançado a olhar a realidade existencial da igreja evangélica hodierna.
Augustus Nicodemus, mostra com tanta clareza a mentalidade romanista que tem dominado a maneira dos evangélicos de todos os tempos e, sobretudo, da faixa que forma essa última onda histórica da pentecostalidade brasileira, que nos motiva a orar, em busca de uma nova visão dos pontos de apoio da nossa fé; seriam eles bíblicos ou culturais em sua essência?
Os dados estatísticos, e, diga-se de passagem, de estatísticas sérias, deixam muito claro como é incontestável para todos; o crescimento numérico dos evangélicos em nossa nação, e ainda fica bem nítido que esse crescimento não está mais aprisionado às camadas sociais “inferiores”, essa igreja de sangue brasileiro, ousou descer o morro e ganhar lugar no asfalto, saiu de alguma forma dos guetos e se tornou habitante também no meio da alta linhagem. E temos nesse contexto de dar a mão a palmatória e reconhecer que essa penetração social, tornou-se possível em grande parte com o advento do neopentecostalismo.
Porém o que assistimos de outro ângulo de visão é que essa mesma igreja que experimenta um crescimento numérico sem precedente histórico, nunca conheceu tamanha deformação teológica e tanta fragilidade doutrinária; o que sem duvida põe em xeque a qualidade, validade e durabilidade desse crescimento. E essa maneira de fazer teologia, às vezes chamadas de “teologia livre e/ou teologia própria”, fruto de uma hermenêutica deficiente e por vezes mal intencionada, tem levado a fé cristã evangélica a tornar-se sincretista chegando às raias da perigosa mistura que não é mais simplesmente mística, é comprometedora da são doutrina e um ataque aberto à pureza da Palavra de Deus.
Historicamente, somos herdeiros de pelo menos três ramos de cultura religiosa, a dos índios, dos negros e dos nossos colonizadores, cristãos católicos; só isso já faz com que sejamos herdeiros de uma grande força sincrética, no entanto, o que assistimos agora é a fé evangélica tornar-se terrivelmente misturada, e na maioria das vezes conscientemente, objetivando o proselitismo, numa “numerolatria” incontrolável, porque esse se torna um meio fácil de conseguir adeptos.
Nicodemus diz “_É fato que a conversão verdadeira (arrependimento e fé) implica uma mudança espiritual e moral, mas não significa necessariamente uma mudança na maneira como a pessoa vê o mundo”. A fé para a salvação, aquela que gera a conversão vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17), mas fazer o homem enxergar as coisas fora das suas heranças religiosas, é papel de uma igreja que ousa ensinar a verdade, e opta pelo que é certo e não pelo que dá certo, o evangelho genuíno, que gerará verdadeiros evangélicos passa pela moral daquele que o anuncia. O que se pretende dizer, é que quando essa herança é somente cultural, ela pode ser realmente consertada pela aplicação viva da Palavra de Deus, com sua eficácia a ponto de fazer cair por terra todo o arcabouço de carga herdada, porém se ela é fruto da natureza caída, de homens que na sua arrogância, megalomania e coisas do gênero usam desses artifícios a fim de “ter” e de propagarem suas próprias pessoas e placas, ela compromete a essência da fé cristã evangélica.
Uma primeira característica disso fica bem transparente na atual avalanche, da busca por títulos pessoais; não tenho lembrança de outro tempo onde podemos ver tantas pessoas se auto intitulando, bispos, apóstolos e doutores, como num resgate ao sistema clerical romanista, que reveste de autoridade e sacraliza os possuidores de tais títulos, mas o que vemos é que no sistema romanista, isso é parte da maneira como eles se administram, não é a validade ou não desse sistema que está em discussão aqui, o que causa espanto é que no meio evangélico tais bispos, apóstolos são auto nomeados, eles arrogam para si esses títulos, e o povo comum, faz pousar sobre estes uma espiritualidade inacessível, os revestem de autoridade e outorgam a eles direitos espirituais fora dos padrões bíblicos, e os colocam num patamar de celebridades, talvez o contato com o povo ou os tornassem imundos ou então santificariam o povo, ouvi de um desses homens um dia, ao fazer um apelo depois de uma drástica mensagem: “_Todos aqueles que receberem a Jesus como salvador nessa noite, eu vou conceder o prazer de apertarem a minha mão”, o que pude assistir foi um sem número de cristãos convertidos indo à frente, simulando uma conversão, para poderem apertar a mão do inusitado cidadão. A visão bíblica não é clerical e nem na base de um relacionamento de título, a Bíblia fala de um reino de sacerdotes (1Pe 2.5,9,10), e fala de um relacionamento de família, membros uns dos outros, tudo na base firme do amor.
Também é romanista a idéia, de que uma classe específica de homens são detentores da graça divina, sendo eles o canal de vazão dessa graça ao povo, e a proposta da mediação humana ou clerical é do corpo romanista de ensino, são eles (os sacerdotes) que têm o poder ou autoridade desde ministrarem Cristo aos homens na celebração das missas até ouvir em confissão os pecados e dizer o que deve fazer o homem para tê-los perdoados. Esse peso romanista é bem visível no seio evangélico, nós rotulamos homens como detentores da graça divina, fazendo verdadeiras “romarias”, até os lugares onde esses mesmos estarão, porque com eles esta a força de Deus, muitos evangélicos só aprenderão que Deus é capaz de ouvi-los como ouve os 318 homens de Deus, o dia em que estiverem sozinhos, em uma situação de urgência, sem sinal de antena, e tiverem que aprender a verdade bíblica “o justo, pela SUA fé viverá” (Hc 2.4). A igreja evangélica brasileira apesar de crer e pregar que o único que pode perdoar pecados é o Senhor, através da aplicação pela fé do já derramado sangue de Jesus, ainda é adepta da confissão auricular, e ainda cabe ao “clero”, apontar o que deve ser feito para que haja o livramento de tal peso de pecado, ao ponto de existirem crentes que se não sofrerem essas sanções, passam o resto de suas vidas carregando consigo um sentimento de culpa, anulando toda a eficácia do sangue de Cristo e invalidando o seu sacrifício. (1Jo 1.9); já ouvi algumas vezes: “eu mesmo me disciplinei, pois eu sei que Deus perdoa, mas é preciso pagar o preço”, oh quanto legalismo inserido nessa declaração, como se nossas penitencias, tivessem poder superior ao sacrifício de Cristo por nós.
O que dizer do misticismo quase irracional, de acordo com Nicodemus “o catolicismo no Brasil, influenciado pelas religiões afro-brasileiras, semeou misticismo e superstição durante séculos na alma brasileira: milagres de santos; uso de relíquias, aparições de Cristo e de Maria, objetos ungidos e santificados, água benta, entre outros...”, essa mesma força mística hoje é parte atuante no meio evangélico, nós hoje temos uma verdadeira inundação de misticismo evangélico, onde a superstição tomou o lugar da fé, alguns movimentos neopentecostais os aceitam dentro da sua confissão de fé. São os chamados pontos de contato “são elementos usados para despertar a fé das pessoas, de modo que elas tenham uma resposta de Deus para os seus muitos anseios. Muitas pessoas têm dificuldade para colocar sua fé em pratica, por isso precisa de pontos de contato, que podem ser o óleo de unção, a água, a rosa, e outros elementos. Esses objetos não têm poder em si mesmos, mas despertam o coração e a mente das pessoas para a realidade de que o Senhor está presente para abençoá-las”_ (DOUTRINAS DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS, Vol 2; pg 101); nem é preciso dizer que os textos usados para legitimizar o uso de tais praticas, são despojados de todo qualquer cuidado hermenêutico; mas o que salta aos olhos é a grande criatividade e como diz Nicodemus “imaginação” desses lideres, que acham de tudo dentro do contexto das Escrituras para criar os famosos pontos de contato, e a ingenuidade do povo de se deixar levar sempre por novos pontos, acreditar que realmente a fogueira é santa, que o óleo é ungido, que a água é mesmo do Jordão, etc. .., claro que a alma romanista do brasileiro é terreno fértil para todo esse tipo de misticismo, e isso na mão desses grandes empresários da fé é um amplo filão de mercado, homens que pensam ter a “posse” exclusiva do Espírito santo, marcam dia e hora para Ele agir, o domingo é do derramamento do Espírito, a terça é do descarrego, a quinta é da vitória e assim por diante, a ponto de chegar a pensar que essa forma mística é a única maneira que existe de atrair aqueles que ainda não receberam ao Senhor como seu salvador para a igreja, destituindo todo o poder de atração que existe na pregação do evangelho da graça
Uma herança romanista que temos no âmbito evangélico, é classificação de pecados, lá existe a clara distinção entre pecados mortais e pecados veniais, e como afirma Nicodemus isso “vem permeando a ética brasileira a séculos”. Para a igreja romana pecado mortal é a transgressão divina em matéria grave, realizada com plena advertência e consentimento deliberado enquanto que o venial é a transgressão da lei em matéria leve, ou mesmo em matéria grave, mas com imperfeita advertência e imperfeito consentimento. A nossa cultura se encarregou de preencher a lista dos mortais e dos veniais; nós temos a facilidade de perdoar e até ignorar pecados que nós não intitulamos como GRANDES; todo e qualquer pecado que tiver conotação sexual, esse é mortal e não teremos muita facilidade para perdão, mas a mentira, o engodo a falcatrua, esses são tidos como pecados de gravidade menor, vivi isso na pele, e ao interrogar alguém sobre uma determinada pessoa que havia emitido inúmeros cheques que não tinham fundos, somado a isso quando foi justificar o não cumprimento do compromisso terceirizou a culpa usando de mentira; recebi a resposta: “_temos que ver que em termos de gravidade isso é bem menor do que pecados de ordem sexual”; eu nunca vi uma pessoa sofrer disciplina por que mentiu, porque é maledicente ou coisas do gênero, nós somos evangélicos de alma romanista, temos nossos mortais e veniais.
O grande convite é que essa igreja que cresce numericamente de forma assustadora, quando se converter dos ídolos mudos através da pregação do evangelho, seja também depois ensinada nos conceitos doutrinários, para que haja uma conversão na mentalidade, na maneira de ver o mundo, tendo uma total libertação de todos os conceitos culturais religiosos que por tradição nos foram comunicados.
Quando a força do compromisso com a pureza doutrinária e o zelo teológico forem mais forte, que o rótulo que nos impõe a sociedade hodierna, onde cifras e números são sinônimos de sucesso, e a cobrança para que haja produção em escala cada vez mais ascendente e a sedução do caminho mais fácil, não nos leve a aderir as formulas mágicas, as receitas prontas a banalização do sagrado, e a tremenda luta para se manter competitivo no “mercado da fé”, usando de meios sincretistas, de maneira que possam atiçar o instinto religioso do nosso povo a fim de podermos conseguir adeptos e, assim fazendo, formarmos uma igreja cheia, porém desprovida de saúde espiritual. Que esse compromisso nos leve a ter determinação em defender a verdade, no exercício de um ministério profético e solidário.




OBRAS CITADAS

Nicodemus; Augustus:
Artigo: A alma católica dos evangélicos brasileiros
Revista Fé para Hoje nº 30 – 2007

Macedo, Bispo
Doutrinas da Igreja Universal do Reino de Deus (vol 2)
Editora Gráfica Universal Ltda _ 1999
RECADO AOS MEUS AMIGOS


CONSERVE O ENTUSIASMO

O vocábulo “entusiasmo” é uma junção de palavras gregas “en+theós+asmos”, o que significaria ao pé da letra “com o sopro dos deuses dentro de si”, o dicionário grego-português, português-grego, de Isidoro Pereira, editora Porto define como: “inspiração divina; exaltação produzida pela inspiração da divindade”.
Os gregos eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses; logo a pessoa “entusiasmada” era aquela que era possuída por um dos deuses e por causa disso poderia transformar a natureza e fazer as coisas acontecerem. Segundo os gregos, só as pessoas entusiasmadas eram capazes de vencer os desafios cotidianos. Era preciso, portanto, entusiasmar-se.
Entusiasmo difere de otimismo, porém por vezes é confundido. Otimismo significa disposição para ver as coisas pelo lado bom e esperar sempre uma solução favorável, mesmo nas situações mais difíceis, ou seja, é acreditar que uma coisa vai dar certo. No mundo de hoje, na igreja de hoje é preciso ser entusiasmado. O entusiasmo é um ardor, veemência manifestada na realização de algo. A pessoa entusiasmada é aquela que acredita na capacidade de transformar as coisas, de fazer dar certo. Entusiasmado é a pessoa, que acredita em si, nos outros, na força que a pessoa tem de transformar o mundo e a própria realidade.
Devemos entender que não é o sucesso que traz o entusiasmo, mas exatamente o contrário, será o entusiasmo que proporcionará o sucesso, pois o entusiasmo é que traz uma visão de vida.
Gostaria que você analisasse e ao pessoal que compõe o seu departamento, como vai o entusiasmo, pelo Brasil, pela igreja, pelo seu emprego, pela sua família, pelos seus amigos? Se você é daquelas pessoas que acham impossível entusiasmar-se com as situações atuais, acredite _ sairá dessa situação. É preciso acreditar na sua capacidade de vencer, de construir o sucesso e de transformar a realidade.
Diferente mente das crenças dos gregos, você realmente é habitação de Deus, foi Ele quem garantiu: “VIREMOS E FAREMOS MORADA NELES”



JOEL PAULINO
6ª semana/Fev 2009