UMA BOMBA!!!
Por: Joel Paulino
Outono 2009
O grande compromisso da igreja, e por isso também um grande desafio, é o de evangelizar o mundo, e ser a agência implantadora do reino de Deus na terra. Para levar adiante esse grande desafio, com efeitos, é licito que ela venha se valer dos mais variados métodos e meios para chegar ao porto desejado. Meu intento aqui não é em momento algum discutir a validade ou não desses métodos e meios, isso por certo já está sendo feito a sobejo. O que me leva a pensar sobre o assunto é o quê a igreja intenta conseguir com isso e como tem se valido desses métodos e meios.
Uma das formas mais efusivamente difundidas pela igreja hodierna é o chamado “tele evangelismo”, pelos espaços que conquistou nos mais diversos canais de televisão, sem contarmos aquelas que possuem seus próprios canais. Devemos ser gratos a Deus porque entendemos que realmente uma grande porta de evangelização se abriu para a igreja através desses canais televisivos, além dos demais meios midiáticos existentes.
Talvez até aqui nada de novo tenha sido dito, mas a análise sugerida é da relação entre propósito e ação. Sabemos que o primeiro é evangelizar o mundo e implantar o reino, mas se levarmos a ação ao foco, surge a pergunta: será que a igreja está cumprindo esse propósito, através de sua ação, pelo uso desse meio de comunicação?
Francamente eu não sei quanto custa um minuto de programação em um canal de televisão, seja em horário nobre ou não, mas alguma coisa a minha mente limitada consegue ponderar, e dois fatores me saltam aos olhos nesse momento. Primeiramente a qualidade das programações e dos apresentadores: não é preciso ser um exímio conhecedor das técnicas aplicadas na produção de um programa televisivo para atestar isso, pois mesmo como espectadores temos condições de filtrar com olhos críticos e vermos com que amadorismo a grande maioria desses programas são feitos bem como a pobreza de seus cenários, a má qualidade do som, etc. Se formos ver então a postura de seus apresentadores, o vocabulário, a maneira como lidam com a língua portuguesa, sem entrar em detalhes nos chavões e nas gírias evangélicas que são usados de maneira excessiva. Aliás, se para o cristão evangélico essa linguagem já é um modismo sem sentido, o que se dirá quando a ouve uma pessoa que desconhece o evangelho! As músicas que são veiculadas, na maioria das vezes, também estão longe de alcançar o homem sem Deus, pois a sua pobreza poética e o seu sentido de mensagem são para um público totalmente às avessas daquele que precisa ser evangelizado.
Diante disso, podemos receber uma resposta escapista de alguém que virá dizer “Deus escolheu as coisas que não são para confundir as que são”, e ainda completar com aquela que mataria de vez qualquer álibi a ser proposto: “Os números mostram o sucesso disso que você está chamando de má qualidade”. Mas isso abre margem para falarmos do segundo fator a ser observado que é a postura ética do elemento humano por detrás das câmeras, e esse fator de ação é determinante no alcance ou não do propósito.
O que vemos é uma programação voltada inteiramente para a promoção do ser humano, ou da instituição que este representa, e quando isso se cumpre, com efeito, o elemento ‘reino’ perde e deixa de ser proclamado. No investimento maciço em um proselitismo desmedido visando o crescimento individual de sua instituição denominacional, esses indivíduos agem ignorando a ética, e apresentando uma falsa piedade cristã, semeiam dúvidas sobre outros seguimentos, causam separações e desagregações aliciando para si aqueles membros menos aprofundados na fé. Essa é uma forma de conseguir o crescimento através do “capital de giro” do reino, provando-se assim que na verdade esses televangelistas, na maioria das vezes, não estão recebendo novos convertidos, e sim membros de outras igrejas evangélicas que se vêem engodados por alguma coisa e deixam seus lugares passando a segui-los.
Temos ainda que levar em conta a manipulação da consciência das massas, e a maneira desmascarada como isso é feito. Como as grandes mídias seculares, tais homens se prestam ao serviço de querer fazer as massas pensarem com suas mentes, usando suas mensagens que são todas direcionadas a propósitos previamente estudados e que poderão alcançar os homens em seus pontos fragilizados.
Mas o que mais me dá asco, e é o que originou o título desse artigo, é a maneira como aquilo que era para ser usado a serviço do reino está sendo prestado na realidade a um grande desserviço. A partir do momento em que a igreja investe força contra si mesma, ela com certeza não precisa mais do diabo para fazê-la parar, pois a própria palavra assevera um “reino dividido, não subsistirá”. O que estamos vendo de um televangelista que é hoje um dos mais assistidos nesse país, e talvez por isso cometa o maior pecado, porque “quem sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”, é o uso desse poderoso meio de evangelização em prol de fazer convites para dias específicos de sua programação, em que ele “estará apresentando uma bomba”. Claro, isso movimenta uma série de pessoas, que por curiosidade são aguçadas a verem o que será exposto. Até aí é aceitável, desde que no tal dia da “bomba” ele entrasse no ar com o “evangelho”, que ainda é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Mas ocorre que ele especifica esse convite àqueles que não precisam ser evangelizados e também àqueles que de alguma forma já são ministros em suas instituições religiosas, para expor todas as podridões que envolvem esse cristianismo institucionalizado, quando na verdade é pelo fato de ser ele alguém interessado em fazer parte desse filão."
A minha questão é: será que o homem sem Deus que se põe a ver e ouvir tal coisa tornará a querer esse evangelho? Virá ao Cristo da cruz e vai entender que ele deve fazer parte de alguma instituição para poder edificar-se na fé?
O pedido é para pensarmos nos irmãos que tiram da menor moeda para manter no ar essas programações e que financia também a construção dos castelos encantados desses sem números de homens sem nenhuma ética que brigam pelo poder. Repensemos essa postura, e se isso não bastar, vamos pensar em Deus, no Deus desinstitucionalizado, que está para muito longe das mesquinharias humanas, e usar os meios que Ele nos provê para sermos evangelizadores do mundo e construtores do reino.
“Avivamento a brasileira é aquele que côa os mosquitos das mais legitimas alergias humanas, e engole os camelos das mais nojentas disputas de poder, manipulação da consciência e da falta de padrões mínimos de ética cotidiana” (do livro “Avivamento Total” _ Pr. Caio Fábio).
terça-feira, 7 de abril de 2009
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